NASCIDO EM FORTALEZA, NO
DIA 15 DE MARÇO DE 1911, E FALECEU EM SUA TERRA NATAL, NO DIA 19 DE NOVEMBRO DE
1981, SENDO FILHO DE LUIZ GONZAGA CAZVALCANTI e LUIZA MELO CESAR CAVALCANTI DE
ARAÚJO.MÉDICO, POLÍTICO E LÍDER COMUNISTA E NOME DE RUA EM NATAL, ESTADO DO RIO
GRANDE DO NORTE
Naquela época, já militante do Partido Comunista, enfrentou os velhos coronéis,
denunciando a situação de exploração vivida pelo povo cearense, fruto da
desigualdade social, uma sociedade marcada pela grande concentração de terras.
O médico humanista vivencia as agruras do homem do campo nordestino.
Militante defensor de um mundo mais justo, pautou sua vida profissional na luta
intransigente pelo direito de todos a uma saúde gratuita e de qualidade. Seus
embates políticos no Ceará, o fará procurar outros lugares. Encontra então, a
cidade de Mossoró, chega a cem terras Potiguares a convite do ex prefeito
Duarte Filho.
Na capital do oeste potiguar Vulpiano Cavalcânti participa com Evaristo
Nogueira, Joel Paulista, Antônio Tenório, Jonas Reginaldo Fernandes, Manoel
Torquato, Chico Guilherme, José Moreira e Lourival Góis. Companheiros de
ideais, atuam na organização do Partido Comunista, mesmo na clandestinidade.
Na terra de Santa Luzia sofreu sua primeira prisão no Rio Grande do Norte.
Preso, foi transferido para Natal em um avião, durante toda a viagem sofreu
diversas ameaças. Seu crime: atender bem seus pacientes. Médico-cirurgião, foi
responsável por diversos casos bem-sucedidos registrados nos anais da medicina
norte-riograndense.
Meu caro leitor, falar de Dr. Vulpiano é fazer uma referência ao médico, ao
homem, ao militante social, aquele que não aceitou como natural as injustiças
praticadas contra as camadas sofridas do povo brasileiro.
Em Memória Viva, Dr. Vulpiano relata um dos atos mais deploráveis praticados
nas dependências de uma unidade militar. A Base Aérea de Natal, símbolo de
combate as forças nazifascistas, Natal cidade Trampolim da Vitória, teve
sua história manchada pela dor e o sofrimento de um homem do bem.
O Dr. Vulpiano Cavalcânti, em seu relato ao jornalista Carlos Lyra, denuncia
uma corja de covardes transvestidos de oficiais da aeronáutica.
“Despido, fui espancado por eles a socos, pontapés e cassetetes de borracha.
Tudo isso na presença do cel. Ferraz Koller, comandante da base. Foi a prisão
mais dolorosa, mais torturada que passei”.
“Depois desse introito, fui jogado numa cela de quatro palmos de largura por
sete palmos de altura, fechada a chapa de ferro [...] A maior ventilação que
recebia era deitado, porque embaixo tinha algum ar nessa porta [...] Nessa
prisão eu respirava, também, pelo teto, por um pequeno buraco, que servia para
o tenente Câmara urinar, acertando sempre na minha face. Urina e fezes”.
É meu caro amigo leitor, estamos nos referindo a década de 1950, volto a
repetir, em uma unidade militar nascida do esforço de guerra contra o
autoritarismo. Natal conhecida por sua tradição na aviação aérea, tem
infelizmente, a marca da insensatez praticada em nome de um poder que falava em
liberdade do outro lado do Atlântico, enquanto do lado de cá dos trópicos
muitos eram torturados nos cárceres da Base Aérea de Natal.
A sociedade Potiguar, a sociedade Brasileira, tem o direito à verdade.
Esperemos que saiam das trevas as violações dos Direitos Humanos praticados por
aqueles que deveriam defender as garantias constitucionais dos cidadãos
brasileiros.
FONTE - INTERNET

